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Cartas ao director

Cartas ao director

Os apagões da História recente…

Decorreram, no passado dia 28, quarenta e seis anos sobre um evento que, à data, agitou Portugal, recém-saído então dum regime autoritário, não democrático.

Vivi (ainda que, por vezes, um tanto distraído) antes, durante e pós 25 de Abril e estou a referir-me, obviamente, ao “28 de Setembro” de 1974, a propósito do qual Cunhal comiciava e ameaçava “temos de partir os dentes à Reacção”! Os meios de comunicação social portugueses em geral, curiosamente, não referiram tal aniversário. Por falta de significado histórico?!

Perante o rápido crescendo da Esquerda activista, encabeçada pelo PCP e outras organizações onde era dominante, tanto no campo laboral, como económico - com ocupação de empresas, sequestro de patrões e invasão de grandes propriedades, nomeadamente no Alentejo -, o presidente Spínola começou a “visitar” algumas unidades militares, num aparente medir de forças com o MFA, ao mesmo tempo que iam surgindo movimentos civis de protesto ao caminho que Portugal e a sua política estavam a seguir.

Ganho este confronto com as correntes mais conservadoras do país, rapidamente – e perante a indecisão do PS – as Esquerdas, com realce para o PCP, aceleraram na sua “Revolução”, somando às práticas referidas um controlo quase total de jornais, rádios e mesmo da RTP e RDP. Este estremar, por vezes, dramático de desenvolvimentos do “25 de Abril”, levaria ao 11 de Março seguinte e, já depois do veredicto das eleições de 1975, ao 25 de Novembro.

Na sequência desse rumo socializante da economia portuguesa, acelerado pelo 28 de Setembro, e pelas implicações da descolonização, o FMI “visitou-nos” por duas vezes, durante governos socialistas, em 1978 e 1983.

Se o nariz de Cleópatra fora diferente, diferente teria sido o mundo que se lhe seguiu, comenta-se em História. E se o 28 de Setembro tivesse vingado, teríamos o mesmo Portugal de hoje?! Os historiadores e politólogos que respondam…

Joaquim Heleno, Queluz

Megalomania socialista

Anunciado o TGV, pelos vistos, será mais rápido fazer Porto-Lisboa (300km) de transportes públicos do que os menos de 20km que ligam uma comum residência fora na N1, em V. N. Gaia, a qualquer faculdade no Porto, sendo perfeitamente normal passar cerca de três horas por dia, entre viagens e mudanças de transporte.

A Câmara de Gaia vai gastar mais de seis milhões + IVA a construir parques temáticos, alguns em locais onde já existem parques infantis, enquanto uma grande parte das paragens de autocarro não têm coberto, ou este é muito pequeno para abrigar os passageiros em hora de ponta. O presidente da câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, quer-nos convencer que o TGV vai passar em Sto. Ovídio, quando a viagem no troço Gaia-Espinho demora mais 30 minutos que em 2015. O PS deixou este país demasiado pobre para as megalomanias do presidente da Câmara de Gaia e do ministro das Infra-Estruturas.

Jorge Costa Braga, Vila Nova de Gaia

As extremas

Carmo Afonso declarou na quarta-feira, no PÚBLICO, que o PCP e o Bloco de Esquerda não são de extrema-esquerda. Ora, o que me choca mais neste artigo é a certeza que a articulista imprime às suas teses. Por exemplo afirma que Luís Montenegro “faz contas à necessidade que tem do previsível resultado eleitoral do Chega para chegar à governação, mas também é obrigado a fazer contas à debandada daqueles que sendo de direita, são também antifascistas e sérios.” Repare-se que Carmo Afonso não dá a sua opinião mas antes afirma implicitamente, que todos os outros são fascistas e desonestos, não apontando quaisquer provas daquilo que escreve.

Fernando Raposo de Magalhães, Lisboa

O PS governou com a extrema-direita

Carmo Afonso define forças políticas de extrema-esquerda as que não são defensoras das liberdades individuais e colectivas, que apelam à sublevação revolucionária ou à luta armada ou qualquer outro fim ou meio que não esteja previsto e consagrado na Constituição. Se nos lembrarmos da nossa história recente são expressões que encaixam que nem uma luva no passado dos partidos de extrema-esquerda portugueses, PCP e BE. Possivelmente pela sua juventude, Carmo Afonso não sabe o que foi o PREC, as ocupações selvagens de empresas e terras agrícolas, as FP 25 de Abril, o assalto à Radio Renascença e ao jornal República, as agressões a Mário Soares na Marinha Grande, o assalto à Assembleia Constituinte, a Unicidade Sindical, os saneamentos nas empresas em que os do Diário de Notícias são um caso paradigmático porque tinha como director um [mais tarde] Prémio Nobel, etc., etc., etc. Dir-me-ão, esses partidos já não são assim. Pois cada um acredita no que lhe convém. Eu também acredito que o Chega nunca implantará um regime fascista em Portugal.

Artur J. Cordeiro Rodrigues, Porto

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