rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 30 set. 20:56

Covid-19. Médicos contra o fim do isolamento e testes gratuitos

Covid-19. Médicos contra o fim do isolamento e testes gratuitos

"Acho que é uma medida prematura, não muito cautelosa, e que vai atirar para cima das pessoas a responsabilidade individual de nos protegermos uns aos outros", diz o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública.

Os médicos de Saúde Pública consideraram esta sexta-feira prematura a decisão de pôr fim ao estado de alerta devido à Covid-19, que faz cair o uso obrigatório de máscaras, o isolamento dos casos positivos, os testes gratuitos e os apoios.

"Acho que é uma medida prematura, não muito cautelosa, e que vai atirar para cima das pessoas a responsabilidade individual de nos protegermos uns aos outros", disse o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Gustavo Tato Borges, à .

Com o fim do estado de alerta deixa de ser possível determinar o uso obrigatório de máscaras.

Também vai terminar o isolamento dos casos positivos, os apoios dirigidos à Covid-19, os testes gratuitos que estavam disponíveis até hoje, e o apoio a 100% para as baixas dos doentes com Covid-19, salientou.

"A partir de agora, é uma doença como qualquer outra e, numa altura em que estamos a entrar numa nova onda, e que ainda não temos a certeza sobre o impacto que a vacinação vai ter, nós estamos a assumir um risco enorme. O governo não foi prudente nesta decisão. Acaba por deixar os doentes com Covid-19 dependentes só de si próprios", criticou.

Para Gustavo Tato Borges, a decisão foi feita "olhando apenas para a realidade atual", sem pensar no que vai acontecer a seguir a nível epidemiológico.

Gustavo Tato Borges considerou também "contraditória" a mensagem do ministro da Saúde, ao afirmar que "a reversão da situação de alerta não significa, porém, que a pandemia de covid-19 está ultrapassada" e que é preciso "continuar a vigiar a evolução da doença".

"Então se é para fazer as mesmas coisas mantinham o estado de alerta, que não tinha um impacto considerável na vida das pessoas e permitia manter tudo igual como estava", disse, entendendo que esta medida poderia ser tomada quando se verificasse ao longo deste inverno que não haveria problemas.

A partir de agora, só se vão conhecer os casos graves que chegam aos hospitais e, afirmou, "nós sabemos que há utentes que, apesar de estarem vacinados, vão continuar vulneráveis para esta doença, porque infelizmente têm uma condição clínica que não lhes permite ganhar anticorpos" e não há alternativas de tratamento, além da vacinação.

Por isso, defendeu, "precisávamos que o país mantivesse esta doença debaixo de escrutínio para conseguirmos proteger estas pessoas até termos todas as armas disponíveis para podermos combater a pandemia de uma forma mais sossegada".

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