rr.sapo.ptOpinião de Francisco Sarsfield Cabral - 4 jul. 07:17

​O PSD está de volta

​O PSD está de volta

Poderia esperar-se de Luís Montenegro uma intensa chuva de críticas ao PS e ao seu Governo. Mas o novo líder do PSD foi claro: o essencial será apresentar alternativas às políticas governamentais e à falta delas. O trabalho político do PSD apenas agora começou.

O congresso do PSD realizou-se quando ainda se multiplicavam os comentários sobre o estranho caso do diferendo entre A. Costa e P. Nuno Santos em torno do novo aeroporto de Lisboa. Contra o que desejam os socialistas, os portuguese não vão esquecer tão cedo este caso, até porque permanecem mistérios que importa desvendar.

Este sério abalo na confiança dos portugueses no Estado fragilizou o primeiro-ministro e o ministro das Infraestruturas, assim como o Governo. Poderia então esperar-se de Luís Montenegro uma intensa chuva de críticas ao PS e ao seu Governo.

Ouviram-se críticas severas ao PS da parte do novo líder do PSD, claro. Mas Montenegro surpreendeu pela positiva ao enunciar um princípio político básico: além de criticar, como principal partido da oposição, importa sobretudo que o PSD apresente alternativas às políticas governamentais. E que essas alternativas convençam o eleitorado.

Nos discursos que pronunciou no congresso L. Montenegro foi fiel a esse princípio. Naquilo que disse e também na atitude calma, ponderada, pouco “comicieira”, com que falou. Naturalmente que referiu sobretudo prioridades, tendo pela frente quatro anos de oposição para pormenorizar tudo o que disse.

O Chega veio dizer que o PSD seria agora uma muleta do PS. Montenegro ignorou essa crítica (o seu discurso final é tudo menos uma aproximação ao Governo), mas afirmou uma posição clara quanto ao Chega, sem o nomear. Afirmou ele que não poderá associar-se a políticas xenófobas e racistas. E que nunca poderia liderar um governo que quebrasse os princípios do PSD, um partido moderado.

Parece um bom começo para Luís Montenegro. Mas, como é óbvio, o “caminho das pedras” que espera o PSD (provavelmente quatro anos na oposição) apenas agora começa. Se Montenegro não precisou de uma segunda oportunidade para dar uma primeira boa impressão, estará certamente consciente de que o trabalho político, que agora começou, levará anos.

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