visao.sapo.ptLUIS DELGADO - 4 jul. 21:05

Visão | A escassa vitória de Putin

Visão | A escassa vitória de Putin

Na esteira de um exército arruinado (vejam as imagens de satélite), Putin quer agora o resto do Donetsk, sem esquecer, nunca, e acima de tudo, que pretende absorver, engolir, e mastigar a Bielorrússia.

No dia da independência dos EUA, Putin anunciou que as suas grandiosas forças militares tinham ocupado a totalidade de Luhansk. Escassa e magra vitória. A autoproclamada República, concebida e reconhecida por Moscovo e Damasco, tem um pequeno problema, mas isso pouco importa: está arrasada, a maioria da população fugiu, e os rublos de Moscovo não chegam para refazer o território, enquanto estiver nas suas mãos. O que nunca acontecerá.

Os generais foram saudados pelo presidente russo, e os militares que se empenharam nesta batalha, de uma pequena parte de Luhansk, tendo em conta que o restante já estava ocupado pelos russos, fingidos de separatistas, desde 2014, vão de férias. Sobram poucos, e precisam de recuperar. Putin, o coronel, deu ordem, agora, para se concentrarem no Donetsk. Com o que sobra.

Bem pensado. Esqueceu-se que os ucranianos já começaram a usar, com sucesso, os sistemas de rockets múltiplos, vindos de vários países, e intensificaram a utilização da artilharia pesada, de drones, e de mísseis fresquinhos e eficazes.

A vitória de Putin assemelha-se à do general Pirro. Ganhou a batalha, não a guerra, mas quando olhou para trás, para proclamar a vitória, não tinha ninguém vivo. Nada. «Z» de zero. Mais de 5 meses de combates, de milhares de mortos, de destruição indiscriminada, e com a sua quinquilharia militar em estado de ruína, Putin condecora generais e agracia soldados. Na esteira de um exército arruinado ( vejam as imagens dos satélites), Putin quer agora o resto do Donetsk, sem esquecer, nunca, e acima de tudo, que pretende absorver, engolir, e mastigar a Bielorrússia.

A ideia era notável: colocava de joelhos a Ucrânia, assumia, abertamente, que a Bielorrússia já estava ocupada, e virava-se de seguida para a Moldova, sem esquecer que tinha de ajustar contas com a Geórgia, o Cazaquistão, e outros Estados que se acham independentes. A esta velocidade, e com as forças armadas que tem, Putin está contente. Outros, que não ele, é que achavam que a Ucrânia cairia em 12 dias, mais ou menos. Ou em 12 semanas. Não conquistou a Ucrânia, mas ganhou um pedaço de terra queimada.

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