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Cartas ao director

Cartas ao director

O ministro irrevogadoO recente episódio envolvendo o ministro das Obras Públicas tem suscitado muitos comentários, piadas e tudo o mais que é habitual nestas ocasiões. Na verdade, foi inconveniente o momento, pois

O ministro irrevogado
O recente episódio envolvendo o ministro das Obras Públicas tem suscitado muitos comentários, piadas e tudo o mais que é habitual nestas ocasiões. Na verdade, foi inconveniente o momento, pois deveria ter ocorrido um pouco mais tarde, no pino do calor, quando o país vai a banhos e os jornais têm falta de assunto (perdoe a franqueza). Todavia, o despacho revogado aponta uma nova solução operativa para um assunto adiado há meio século; e seria uma pena se se não aproveitasse, ao menos, para ponderar se aquela não deveria ser mesmo a adoptada. Quem sabe se pouparia tempo e dinheiro...
Sérgio Tovar de Carvalho, Lourinhã

Cinquenta anos depois

Realmente foi uma barracada o caso do ministro Pedro Nuno Santos versus António Costa. Mas, a não ser o realce dos jornais, dos comentadores e cronistas, e perda tempo de deputados da oposição, este caso não tem qualquer importância para o país e para o povo português. Apenas vemos mais uma vez os deputados da oposição a exigir a demissão de um ministro, como solução milagrosa para um caso, desta vez, sem consequências graves. Mas, os deputados da oposição não seriam mais competentes, se estivessem nas funções do ministro. Aliás, passaram 50 anos sem que qualquer Governo conseguisse resolver o assunto do aeroporto.

Rui Quintela, Vila Nova de Gaia

Assim vai o Estado social

O que é preciso para termos um bom sistema de saúde? Está visto, dinheiro. E um bom sistema de ensino? É óbvio, também dinheiro. E para termos uma segurança social que cumpra os seus objectivos cabalmente? Dinheiro, uma vez mais. E para garantir casa digna aos mais necessitados? Sem dúvida, mais dinheiro. E para termos um excelente sistema judicial? Dinheiro ainda, como bem se sabe.

O curioso é que os ministros, acossados pela oposição pelo estado deplorável do SNS, do ensino, da segurança social e de tudo aquilo que se relaciona com um verdadeiro Estado social, defendem-se com uma panóplia de argumentos da mais diversa espécie e feitio, mas invariavelmente se esquecem da razão principal desta desgraça: a falta de dinheiro. É estranho. Com tal argumento ficariam absolvidos de todos os seus pecados. Ou não? É que, pensando bem, talvez seja este o seu maior pecado, e confessá-lo denunciaria um crime no Orçamento do Estado, elaborado com calculada autocensura (ou cumplicidade?) para lograr o visto prévio da neoliberal União Europeia, ou de quem nela manda.

António Reis, Vila do Conde

As Câmaras e as obras públicas

Em entrevista à SIC notícias, Pedro Nuno Santos, ministro das Infra-Estruturas disse que a Assembleia da República iria alterar a lei que permite às autarquias impedir obras nacionais. Disse que se uma linha de caminho-de-ferro Lisboa-Porto necessitasse de autorização das autarquias, a linha ferroviária teria um traçado muito sinuoso.

O caso até se deu, mas noutro local. Pretendia-se construir uma linha ferroviária ligando o porto de Sines a Elvas/Badajoz para transporte de mercadorias (leia-se contentores). Para construção dessa linha eram necessários dois traçados novos, um ligando a Linha de Sines (Estação da Raquete, construída para efeito, no projecto da qual fui responsável por uma das especialidades ferroviárias) a Grândola e outro ligando Évora a Elvas (pelo mesmo canal ferroviário da Linha de Alta Velocidade).

A linha que ligava a estação da Raquete na Linha de Sines a Grândola não foi construída porque as autarquias não queriam o seu território devassado por uma linha ferroviária de mercadorias que não lhes servia para nada. O governo Passos/Portas viu aqui uma oportunidade de poupar dinheiro não fazendo nada e cancelou o projecto.

O traçado entre Évora e Elvas (que era o mesmo do comboio de Alta Velocidade) não foi contestado porque a Linha da Alta Velocidade interessava a Évora e esse troço está finalmente em construção. De facto, tem de haver legislação que impeça autarquias de bloquear projectos nacionais, o que terá de ser tido em conta quando se volta a falar de regionalização.

Carlos Anjos, Lisboa

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