observador.ptObservador - 5 jul. 00:17

A última janela de esperança

A última janela de esperança

O PS já nada tem de novo a dar aos portugueses. Se Luís Montenegro falhar na sua oportunidade, provavelmente a última do PSD, talvez a democracia não resista.

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Este Governo, aparafusado em 2015, relegitimado em 2019 e consagrado em 2022, é materialmente o mesmo Governo que: nomeou um procurador com falsidades no currículo, em detrimento da procuradora escolhida pelas instituições europeias; adjudicou golas anti-fumo inflamáveis num negócio que envolveu dirigentes do próprio partido do Governo; afastou a Procuradora Geral da República e o Presidente do Tribunal de Contas com base em critérios substantiva e formalmente discutíveis, embora politicamente claros; viu funcionários do SEF torturar e assassinar um cidadão estrangeiro no aeroporto, e acabou a nomear para a direcção-geral do SEF um membro do gabinete do próprio ministro da tutela; deixou roubar armas à instituição militar, dizendo o ministro, primeiro, que nem tinha havido roubo, e acabando a dizer que afinal o roubo até foi bom porque apareceram mais armas do que as que tinham sido roubadas; teve uma ministra que, quando era autarca, adjudicou 515 mil euros ao filho de um deputado do próprio partido, e essa mesma ministra adjudicou também 30 oliveiras por 60 mil euros, ainda quando era autarca, a sociedade gerida por familiares de um secretário de Estado; indicou para o Banco de Portugal o seu ministro das Finanças, que acabaria, naquelas funções, a fiscalizar os seus próprios actos enquanto ministro; tem sido composto por redes infindáveis de laços familiares, com nomeações feitas a maridos, filhos, primos e cunhados; a pretexto da pandemia, permitiu a criação de um «serviço nacional de covid» em detrimento de um «serviço nacional de saúde»; também a propósito da pandemia, limitou direitos, liberdades e garantias sem fundamento legal e constitucional; ainda quanto à pandemia, exigiu aos portugueses que se enfiassem em casa e cometessem suicídio económico e social para «dar tempo ao SNS de se reforçar», e afinal o SNS não está mais forte.

A lista é, de facto, grande: sete anos de condições financeiras e económicas internacionais vantajosas que nem assim foram utilizadas para tirar o país da lista dos mais pobres da Europa; uma incapacidade gritante de fazer face à inflação; a demonstração inequívoca de que, ao fim de quase uma década, os serviços públicos não funcionam melhor, a burocracia não foi reduzida, a corrupção não diminuiu, não somos capazes de atrair investimento, o sistema fiscal não foi simplificado, os salários não aumentaram, a pobreza, excluindo transferências sociais, não diminuiu de forma significativa.

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